domingo, 14 de abril de 2013

Marina Silva é a maior adversária da agropecuária brasileira

Foi desmascarada durante o debate do Código Florestal, pois encontrou, finalmente, oposição estruturada contra as suas teses sonháticas. É bom o PSDB olhar o mapa vermelho e azul do país, o mapa dos votos, para ver em que regiões o azul preponderou. Em vez de defender as ongs internacionais e a sua representante, o tucanato deveria estar preocupado com o avanço da Dilma sobre os seus principais redutos eleitorais, localizados nas ilhas de excelência rurais deste país. Marina Silva, na hora H, não dará um voto ao PSDB. Vai para a neutralidade e não duvidem que pregue voto branco ou nulo. Já a sua simples presença ao lados dos tucanos, representa a perda de votos que, estes sim, podem ser cruciais para o segundo turno. Entre o risco Marina Silva e o risco Dilma Rousseff, 99% do Campo votará na petista. E que os tucanos não se queixem de pragmatismo, quando estão usando de gentileza demais da conta com a maior inimiga da produção agropecuária. Ser gentil com Marina Silva, não atacando desde já o seu fanatismo, representa a perda de muitos votos no Brasil Rural, que não serão compensados por votos urbanos dos adoradores da "santa". O PSDB não está precisando tomar um banho de povo, apenas. Está precisando tomar um banho de roça. Abaixo, coluna de Dora Kramer, intitulada "Gentil patrocínio", publicada hoje no Estadão.

Não é ato oficial nem explícito: informal e discretamente o PSDB está ajudando Marina Silva a coletar assinaturas para a criação de seu novo partido. Migrantes do tucanato para a Rede dos “sonháticos” comentaram com antigos companheiros de partido que está havendo dificuldade na coleta dos apoios exigidos pela Justiça Eleitoral para conceder registro à legenda que precisa estar legalizada até início de outubro.

Em vários estados, a estrutura do PSDB se movimenta para arregimentar signatários e também para conferir as assinaturas. Em Minas Gerais, por exemplo, há prefeitos encarregados de contribuir cada um com 2 mil nomes devidamente checados. Solidariedade? Pragmatismo: se Marina conseguir criar a tempo a sua Rede, muito provavelmente concorrerá à Presidência em 2014. Para a oposição é um bom negócio, pois quanto mais numerosos forem os concorrentes, maior a divisão de votos. Consequentemente, aumenta a chance de haver segundo turno.

O raciocínio parte do princípio de que hoje quem tem votos é a presidente Dilma Rousseff. A oposição pode até vir a ficar bem, mas por enquanto sabe que está mal na foto. Precisa recorrer a todos os recursos a fim de tentar equilibrar o jogo, já que a situação tem a popularidade da presidente, a exposição inerente ao cargo e todos os meios à disposição.

Uma das maneiras é incentivar a concorrência que possa subtrair votos de onde eles estão mais concentrados: no governo. Marina pode até não repetir o desempenho de 2010, quando atraiu 20 milhões de eleitores. Mas, se entrar na disputa, fica com parte do eleitorado de esquerda, jovens e decepcionados com a política em geral.

Claro que o governador Eduardo Campos também entra nessa conta. Por enquanto, os tucanos estão achando ótima a movimentação dele e não o veem como uma ameaça ao senador e provável candidato do PSDB, Aécio Neves. Ao contrário. Na avaliação deles, Campos ajuda a difundir críticas ao governo e a atrair eleitores no Nordeste. Aqui de novo o mesmo raciocínio: quem tem votos da região é Dilma, não o PSDB. Portanto, ela teria a perder.

Além da questão regional, na visão dos tucanos, o governador de Pernambuco também atrairia parcela do eleitorado governista que já estaria cansado do PT, crítico à maneira de Dilma governar e em busca de uma “novidade”. Isso sem falar no potencial de desagregação da base aliada ao governo que o PSDB enxerga na presença de Eduardo Campos em cena como provável candidato.

Muito bem, vamos que saia tudo conforme o desenho desse figurino, que haja segundo turno, que o candidato tucano passe para a etapa final. O que garante que os outros concorrentes não ficarão neutros ou com Dilma? Pois é, por ora só a esperança de que as premissas estejam certas e o vento sopre a favor.

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