sábado, 17 de agosto de 2013

Breve memória para entender a “barbárie”:




O Sistema Comunista Mundial - assim denominado em 1984 por Annie Kriegel era composto por vários círculos concêntricos. No centro – na origem e desde a origem – reinavam o Partido-Estado soviético e seu regime totalitário: o partido único, a ideologia obrigatória, o controle absoluto da mídia e do ensino, o monopólio dos meios de produção e de distribuição, o terror ou a sua ameaça permanente, o duplo fechamento do país tanto para os estrangeiros que desejassem entrar, quanto para os nacionais que aspiravam sair. (Vide os persistentes gulags do século XXI – Cuba e Coreia do Norte – museus vivos da barbárie)

O comunismo, de essência materialista – de Karl Marx - (1818-1883) e Friedrich Engels 1820(-1895) - ambos filhos de ‘burgueses’ (teriam sido rejeitados) – rejeitam uma fundamentação ética da sociedade socialista e comunista; seguidos por marxistas que argumentam que os postulados éticos – são impotentes em confronto com a realidade; e, assim, somente se realizam aqueles objetivos que expressam o interesse da classe mais poderosa ou dominante.

O resultado desse fabuloso experimento (a) (i) moral nunca visto antes no mundo, depois de milhões de mortos pela fome, assasssinatos em massa de etnias, perseguições, Gulag: a plena realização da profecia marxista de que tudo que é sólido se desmancha no ar - em 1991 – com a falência múltipla de todos os órgãos e instituições do império conhecido como União das Repúblicas Socialista Soviéticas (URSS) seguida de seus satélites, alguns ainda em órbita e outros desgraçadamente querendo entrar.



Desejo ‘piedoso’ da derrocadada do capitalismo (confira com o assanhamento atual dos devotos):


“Nos estudos de Karl Marx relacionados à economia política, sobretudo em Grundrisse (manuscritos) – revelam o propósito de “investigar a estrutura, a dinâmica e as contradições da economia capitalista, pois as crises daí decorentes constituem, em sua opinião, aberturas para as práticas revolucionárias e transformadoras. Comprende-se portanto, que o prognóstico de uma crise econômica iminente – o “dilúvio” – fornece a Marx estímulo para pôr no papel as descobertas de longos anos de estudos de economia política e dar uma primeira forma à sua crítica. In Grundrisse –Manuscritos econômicos de 1857-1858 – Esboços da crítica da economia política - Karl Marx. Apresentação de Mario Duayer, São Paulo/Rio de Janeiro: Boitempo/UFRJ, 2011.



Testemunhos/percepções do mal:



“Para combater o totalitarismo, basta compreender uma única coisa: o totalitarismo é a negação mais radical da liberdade. No entanto, essa negação da liberdade é comum a todas as tiranias e não é de importância fundamental para compreender a natureza peculiar do totalitarismo. Contudo, quem não se mobiliza quando a liberdade está sob ameaça jamais se mobilizará por coisa alguma.” ARENDT, Hannah. Compreender – formação, exílio e totalitarismo (Ensaios – 1930-1954). Belo Horizonte/MG: Editora UFMG/CIA. LETRAS, 2008, p. 347.



“Não há diferença entre comunismo e socialismo, exceto na maneira de conseguir o mesmo objetivo final: o comunismo propõe escravizar o homem mediante a força, o socialismo pelo voto. É a mesma diferença que há entre assassinato e suicídio.” (“No hay diferencia entre comunismo y socialismo, excepto en la manera de conseguir el mismo objetivo final: el comunismo propone esclavizar al hombre mediante la fuerza, el socialismo mediante el voto. Es la misma diferencia que hay entre asesinato y suicidio.”) Ayn Rand (1905-1982). Filósofa e novelista norte americana, defensora do Objetivismo.



“O marxismo não faz sentido, e eu sou o primeiro a dizer que ele está errado." Todor Zhivkov (1911-1998), ex-ditador comunista da Bulgária o que governou país com mão de ferro durante 35 anos (1954-1989).



"Acho que a invasão da Checoslováquia foi uma decisão errada, mal-intencionada e contrária às normas internacionais, mas foi um reflexo das brutais realidades do mundo dividido daquela época." Wojciech Jaruzelski, último líder comunista da Polônia, sobre o apoio de seu país à invasão da Checoslováquia pelas tropas soviéticas em 1968, na Revista Veja de 27 de Agosto de 2005.



"Aplique o marxismo em qualquer país e você sempre encontrará um gulag no final." Bernard-Henri Lévy

“O Estado soviético, Wilson reconhece, falsifica a História, paga um exército de informantes, cria uma atmosfera de medo e suspeita e pratica uma política de terror oficial.” (John Dos Passos, apud Jeffrey Meyers, in Edmund Wilson, uma Biografia. Rio: Civilização Brasileira, 1997, p. 219)



André Gide, escritor de esquerda, que visitou a Rússia, conclui: “Duvido que qualquer outra nação do mundo, e aí incluo a Alemanha de Hitler, possa ser menos livre, mais humilhada, mais temerosa, aterrorizada e vassalizada do que a União Soviética”. John Dos Passos, citado por Jeffrey Meyers, in Edmund Wilson, uma Biografia, ed. Civilização Brasileira, Rio, 1997).



Para concluir: essa concepção materialista – já tentou salvar a humanidade – através do messias-proletário – para trazer o reino dos céus à terra – ou seja o paraíso terrenestre – fundando na realidade o totalitarismo soviético sem precedentes na história da humanidade em termos de tragédia (des) humana.

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